Há quem enxergue a Maçonaria como silêncio, e o motociclismo como ruído. Nós aprendemos — na prática de dez anos — que ambos são linguagens do mesmo verbo: liberdade com responsabilidade.
A pedra bruta do Aprendiz é o mesmo metal bruto que o motociclista desbasta ao ajustar sua máquina. Em ambos, a ferramenta serve ao homem — e educa quem a usa. O trabalho é ritual, mesmo quando parece oficina.
No Templo, caminhamos entre Duas Colunas. Na estrada, caminhamos em coluna formada. A ordem importa. O Irmão à frente é responsável pelo que vem atrás; o que fecha a coluna vela pelos demais. A fraternidade não muda de forma quando muda de cenário.
O ingresso na Loja e a primeira viagem séria de moto compartilham o mesmo desconforto fecundo: o mundo conhecido fica para trás; a pessoa volta outra.
O Templo exige pontualidade, silêncio e ordem. A caravana, o mesmo. Ambos ensinam que liberdade sem disciplina é apenas barulho.
A mão que ergue o Irmão caído do banco maçônico é a mesma que ergue o Irmão caído na beira da estrada. O aperto é idêntico.